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A importância dos livros capixabas
Andréa Espíndula
2 de outubro de 2022

Talvez o título correto seria “A importância dos livros de autores capixabas sendo lidos por capixabas”. Confesso que fizeram falta na minha infância, mas não farão na de meu filho. Há pouco mais de dois anos descobri um mundo fascinante, um mundo onde nunca soube de sua existência e que nunca fez falta para mim, até conhecê-lo. Nele, as histórias são uma mistura de realidade e fantasia, nele, os protagonistas estão por perto, moram perto e até podemos esbarrar por eles ali no supermercado ou na praia. Que mundo maravilhoso esse, o da literatura capixaba. Imagine a emoção que senti ao conhecer pessoas cujos nomes estavam nas capas dos livros lá de casa e parecia uma criança ganhando um doce ao receber uma dedicatória dentro do livro. Resolvi colecionar tais assinaturas. Os livros capixabas aqui em casa têm uma prateleira exclusiva na estante de livros. Neles eu conheço meu estado, conheço histórias de vida, dou risadas com sapos, gatos, veados, baleias e porquinhos. Lendo livros de autores capixabas eu entro na “casa” deles, interajo com seus anseios, com suas dores, seus medos e seus amores; e o melhor, sinto que, a qualquer momento, posso conversar e demonstrar minha admiração.

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A importância dos livros capixabas
Foto via Pexels

A produção literária capixaba carrega algumas centenas de bons escritores ao longo de sua história, e eu não sabia disso. Quando fui indagada sobre o Espírito Santo ser o “patinho feio da Região Sudeste” eu fiquei calada. Ah se eu soubesse todas essas histórias, com certeza aquela pessoa teria uma resposta. Eu diria: Você sabia que temos o maior tacho de moqueca do mundo? Sabia que somos o maior produtor de café arábica do Brasil? Sabia que somos o maior produtor de ovos de galinha do Brasil, chegando na casa dos milhões de ovos produzidos diariamente? Sabia que somos o segundo estado mais antigo do país com quase 500 anos de história? E que temos 2 idiomas oficiais, o português e o pomerano? E que a primeira mensagem por telégrafo foi enviada por aqui? Que temos a maior maquete de uma ferrovia da América Latina? E que temos o terceiro melhor clima do mundo na região das montanhas? E… e… e… e… e ficaria o dia inteiro mostrando o motivo de não sermos o tal patinho, mas quem sabe o cisne da história. Talvez faria como um amigo, que era da Marinha Mercante Italiana, tendo o mundo inteiro para morar depois de sua aposentadoria, resolveu morar em nossa ilha, nossa não Vitorinha, mas nossa Vitoríssima. Ah, se essas histórias que leio nos livros de autores capixabas fossem conhecidas por todos por aqui… ah, se eu pudesse, lá do alto do Convento, gritar bem alto e ser ouvida desde Conceição da Barra até Presidente Kennedy… ah se todos os nossos artistas tivessem como se expressar e demonstrar o quanto têm orgulho de serem autores, escritores, pintores, escultores, artesãos, ilustradores, designers, arquitetos, editores, agricultores, chefs, historiadores, músicos, atores, cineastas, dançarinos, capoeiristas, congueiros… eles fariam, eles fariam…. o que sempre fizeram: produzir, com amor e qualidade, nossa arte. Nossa arte puramente CAPIXABA. Pois estamos renascendo e vamos pocar!!!!

 

Andréa Espindula.
Formada em Educação Artística/ Artes Plásticas pela UFES. Especialização em Arterapia e museografia.

Livros:
Colorindo meu Espírito Santo (2018)
Capixabinha (2018/19,)
Colorindo as três Santas (2019)
Natuleza (2019)
O que temos para hoje? (2019)
10 Lendas Capixabas que nunca te contaram (2019)
As aventuras do capixabinha pela região metropolitana (2020).

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